12 de mar de 2018

Minha Experiência com a Síndrome do Pânico

Pessoal, tudo bem? Hoje vou contar uma história pessoal. Quem me acompanha no instagram (@bloganarodriguesoficial) viu que na última segunda-feira fiz uma live com o @blogcaiomaslevanto falando sobre a Síndrome do Pânico. Fui diagnosticada com a síndrome em 2016 e passei pelo tratamento psiquiátrico e psicológico. Hoje posso dizer que tenho minha vida sob controle novamente.


Para quem não assistiu a live, fica aqui o relato da minha experiência. Acho que esse é um tema que deve ser abordado (quando a pessoa se sente confortável, claro) para que sejam desmistificados vários pontos. Esse ano houve a campanha #janeirobranco voltada para a saúde mental. Acontece que ainda há tabu quando falamos sobre transtornos de pânico, ansiedade e depressão. Desde pessoas que encaram como um fricote, frescura até as pessoas que igualam esses quadros a uma ansiedade comum ou tristeza momentânea da vida. Em alguns momentos até acontecem “disputas de infelicidade”  e o mais comum, a comparação com a dor ou momento de outras pessoas. Além do inconveniente, a pessoa que possui o transtorno pode acabar diminuindo sua dor e não buscar ajuda ou se sentir inadequada ou “louca”. São muitas as variáveis, mas podemos falar certamente que ainda há preconceito a respeito desse tema, mas apenas com informação podemos combater isso.


Para dividir minha história, deixar minha contribuição e o registro do que passei, fiz esse depoimento contando minha experiência e minha história de vitória.

Minha Experiência com a Síndrome do Pânico


Quando eu tive meu primeiro ataque de pânico, passei por momentos apavorantes. Ainda sem saber do diagnóstico, senti os sintomas e corri para o hospital achando que tinha algo muito errado e mesmo com o médico me dizendo que não tinha nada acontecendo, insisti e saí de lá com todos os pedidos de exames de rotina. Os resultados dos exames não foram o que eu esperava, eu não tinha nada, mas o diagnóstico veio: transtorno do pânico.

Parece que saber disso só piorou as coisas e um novo capítulo da minha história ganhou título e começou, ele se chama “MEDO”. O medo se instalou na minha rotina e eu tinha medo de tudo, até da minha sombra. As crises de pânico me causavam queimação no peito, fraqueza e muita fadiga, a ponto de não conseguir ficar em pé. A ansiedade também era forte e eu cheguei a não conseguir comer de tanto que tremia. Todo esse quadro foi piorando até que decidi fazer uma das coisas mais difíceis para algumas pessoas: eu pedi socorro! Pedi ajuda porque não aguentava mais viver com todos esses sentimentos dentro de mim, e com a ajuda de duas pessoas muito importantes na minha vida busquei a ajuda do psiquiatra, o médico especialista nesses casos. Nas consultas abria tudo pelo que estava passando e ela me explicava que isso fazia parte do meu quadro, eram sintomas da síndrome e que eu precisava relaxar e respirar fundo.

Nesse processo todo o que mais me assustava era que a ansiedade não melhorava, embora eu conseguisse minimizar e ter aprendido conviver com ela. Eu estava sempre me perguntando “Por que eu? Por que comigo?”

Procurei um novo médico e cheguei até uma psiquiatra da minha cidade e ela foi minha heroína. Na primeira vez em seu consultório eu chorei muito contando o que sentia, da ansiedade, do medo e da sensação de que ia morrer. Ela me disse que precisava me aceitar para me recuperar, me recomendou atividades e leituras que me colocassem pra cima, além dos remédios para acalmar, devolver o apetite e regular o sono. A ideia de tomar tantos remédios não caiu bem pra mim, não queria me entupir de comprimidos e foi então que me apeguei a Deus e mergulhei de cabeça nos livros. E foi uma pessoa muito importante que me recomendou o livro que me ajudou a lidar com 90% de tudo que estava sentindo, o livro Detox da Alma (Bianca Toledo). Além da leitura, ao final de cada capítulo ele propõe ao leitor escrever um diário do que acontece e o hábito de escrever meus pensamentos e sentimentos regularmente me fez notar o quanto eu estava desesperada, eu escrevia coisas tipo “Por que eu não consigo aproveitar os fins de semana sem ficar doente? Por que eu não consigo ser uma pessoa normal? Por que eu não consigo dar atenção às minhas amigas e família? Por que eu tenho esse tremor todo? Por que eu sinto esta fraqueza?”

Em minha terceira consulta a médica me perguntou como eu estava e ao contar meus pensamentos negativos ela me propôs usar apenas palavras positivas. E eu repetia várias vezes frases como “eu me amo”, “sou saudável” e “eu não tenho nada grave” para cada um dos sintomas que eu sentia. Passei a transformar cada pensamento negativo em pensamento positivo, de alguma forma. Foi assim que eu comecei a pensar positivamente e comecei a traçar objetivos pequenos como ir a pé e sozinha até a padaria, sair para almoçar com meu marido e a cada objetivo conquistado eu comemorava. Com o pânico eu passei a ter medo de sair sozinha, medo de lugares fechados ou cheios, então para mim o menor dos detalhes já era um grande desafio.

Comecei a me sentir melhor e me ver com motivos para continuar buscando a melhora. Parei de tomar os remédios cedo, com o conhecimento da médica. A primeira vez que me senti curada foi quando passei a dirigir com mais frequência, mesmo acompanhada. Também comecei a sair de casa mais vezes para ir a restaurantes e a festas de aniversários. Hoje em dia eu retomei minha rotina, mudei meus hábitos e tenho mais consciência do meu corpo. Foi assim que eu venci e venço todos os dias a minha síndrome.

Se você possui os sintomas ou já foi diagnosticado, saiba que é um processo e há tratamento. Você vai vencer! A vida é bonita demais. Aproveite tudo o que ela tem para oferecer e lembre-se sempre de pensar positivo.


Essa é a minha história, eu vivi tudo isso.

8 comentários:

  1. amei seu blog Ana apesar de eu ser suspeito mais e bem instrutivo e atual continue sempre assim bjs nega

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Obrigadoo.. venha todos os dias conferir os post.. bjos

      Excluir
  2. Amei ter contado sobre sua experiência, tenho uma amiga que tem essa síndrome e tem sido muito difícil.
    Abraços

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Oiii Andy... é uma experiência que vale a pena ter compartilhado.. diga a ela que se precisar estou a disposição para convsrsar.

      Excluir
  3. Que relato. Surpreendentemente. .Eu nu cá vi em nenhum blog alguém falar sobre um assu mto de saúde assim.
    www.robsondemorais. blogspot.com.br

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Oii Robson, não são todas as pessoas que tem a confiança de voltar ao assunto .. esse assunto mexe muitoo dentro de nos. Mas falei abertamente e espero ter ajudado muitas pessoas.

      Excluir
  4. Concordo com você que esse é um assunto que precisa ser mais abordado. Até agora nunca tinha visto ninguém falar sobre o assunto e gostei de saber sobre a sua experiencia.
    Fico feliz que você tenha vencido e vence todos os dias a síndrome :)

    ps: não sei se é proposital ou não mas a sidebar do seu layout está bem em cima da área do post e isso dificulta bastante a leitura do texto.

    ResponderExcluir
  5. Adorei o seu post,devemos quebrar os tabus em relação a saúde menta. Eu não fui diagnosticada,nunca fui num psicólogo mas acredito ter depressão,pois eu já fiquei triste durante muito tempo e já cheguei ao ponto de me machucar,mas hoje eu estou mais feliz e parei de machucar,as vezes só bate uma tristeza e dor no peito. Você é uma guerreira!!! Bjs e sucesso no blog!!!

    ResponderExcluir

Deixe aqui seu comentário: